AfrikaansArabicChinese (Traditional)EnglishEsperantoFrenchGermanItalianJapaneseKoreanLatinPortugueseRussianSpanish

Tirar as calças (pela SBAT) e sacudir – carta de Dudu Sandroni

Amigos e amigas: antes da pandemia, atendendo ao chamado do Aderbal e de outros tantos colegas que se juntaram a ele na tarefa de tentar salvar a SBAT, recebi uma mensagem propondo que eu fosse até lá para renegociar minha dívida, o que acabou acontecendo por e-mail mesmo.

Combinamos algumas parcelas: a primeira de 100 pilas. E para pagar os 100 às vésperas da pandemia, eu fiz o seguinte: eu chegava em casa, botava a calça de cabeça para baixo e balançava. Assim começavam a cair moedas e algumas notas amassadas colocadas de qualquer forma no bolso.

Notas de 10, de 5, de 2… Se, por acaso, inadvertidamente, a calça fosse levada para lavar, as notas vinham em pior situação. A elas, se juntavam moedas de 5, 10 ou 25 e de 1 Real. Ou seja, um punhado de trocados que, para mim, eram resquícios do que já havia sido algum dinheiro, mas, que, agora assim isolados, não aparentavam ter mais serventia a não ser se ele encontrasse sua turma de mais dinheiro trocado. Assim, somados uns aos outros, a cada dia. Essa é a lógica das igrejas que tem sempre aquela bolsinha para cada um enfiar a mão no bolso e voltar de lá, do bolso, com uns trocadinhos.

Estou me referindo às igrejas católicas. Sabemos que as evangélicas têm uma administração mais profissional. A cobrança lá é o dízimo, vindo direto do salário para os cofres divinos. Na SBAT somos agnósticos. Temos sim alguns anjos que tratam de nós. A eles, se juntou o Aderbal.

Em alguns dias contando moedas e notas amassadas, eu estava com o dinheiro para pagar a SBAT. Bem, durante a pandemia, não só não ganhei dinheiro, como se tivesse ganho não viraria dinheiro trocado, já que não andava de ônibus, ou taxis, ou ia em lanchonetes, esses lugares em que pagamos alguma coisa.

A grana que a que a SBAT precisa se conta na casa dos milhões. Então, não é o caso de termos milhões no bolso. Acaba e, em pouco tempo, virando trocadinhos que, invariavelmente, vão para o bolso da calça.

A maioria de nós sabe que o dinheiro, e sempre recebemos de troco algum trocadinho, e, agora o dinheiro que entra, sempre pode ir se juntando com outro e pode significar um apoio. Afinal, não é só em milhões que se conta as necessidades da SBAT.

Há que comprar café, água, copos de plástico, enfim, um mínimo conforto para nossos camaradas que estão lá trabalhando ou àqueles que venham visitar a sede. Conta de luz, água, alguns salários dos poucos e heroicos funcionários que mantém o serviço funcionando: só alguns exemplos do que nossas moedinhas podem ajudar.

Mas, o principal, ainda é acertarmos nossas anuidades atrasadas. Sempre se pode negociar uma parcela. Não pode pagar tudo? Tudo bem! Mas pode pagar alguma coisa? Tá aceito!

Além do pagamento das anuidades dos sócios, com os teatros voltando, é importante voltarmos a pagar os direitos autorais via SBAT, que caiba no bolso de cada um. E perguntarmos aos nossos produtores se o espetáculo está em dia com a SBAT.

Um pontinho de luz no fim do túnel. Vai ser muito difícil, mas temos estratégias sendo pensadas e executadas que passam sempre pelo poder público. Emendas parlamentares, além de estar no perfil das leis de incentivo.

Para sorte de vocês, sou menos prolixo que o Aderbal. Com certeza, em pouco tempo sentiremos saudades das suas falas, do seu entendimento, das coisas sempre inteligentes, cheias de referências históricas, que fazia com que cada comentário, fosse também um banho de Cultura.

Bom, camaradas: fico por aqui. Então vamos lá! Todos e todas tirando as calças! Esse procedimento não precisa ser público, nem postado nas redes sociais, falou gente?!

Meus agradecimentos especiais ao Gillray, ao Continho, Maria Rita, Leonardo Simões, Alexandre David, Regina Zapa e outros tantos que eu estou me esquecendo, perdão…

DUDU SANDRONI é dramaturgo, ator, diretor de teatro do Rio de Janeiro (RJ) e sócio da SBAT.

Compartilhe:

Facebook
WhatsApp
Twitter
Telegram
Email
Print
Pular para o conteúdo