
O que significa ser um corpo que sangra em uma sociedade que silencia, controla e distorce a experiência de menstruar? Essa é a pergunta central do espetáculo Gota Vermelha, que traz para a cena reflexões sobre o menstruar.
Em um banheiro de estação de trem, 3 mulheres desconhecidas compartilham um mesmo acontecimento: estão sangrando. A partir desse encontro, a dramaturgia se desdobra de forma fragmentada, atravessando situações e vivências que marcam os corpos que sangram.
Menarca, perda gestacional, pobreza menstrual e silenciamentos cotidianos emergem como camadas de um mesmo tecido, compondo uma teia de experiências que desloca o sangue de sua dimensão exclusivamente biológica e o revela como marca social e política.
Desde muito tempo o sangue menstrual é tabu na nossa sociedade patriarcal, a relação que os corpos que sangram estabelecem com ele desde a primeira menstruação é frequentemente construída desde uma perspectiva pejorativa, sendo visto como incomodo, sujeira, vergonha.
Porque um sangue que gera vida é visto dessa maneira pela sociedade? Porque corpos em processo menstrual não são acolhidos com o devido cuidado? Porque nos sentimos constrangidas ao falar sobre esse assunto? A partir dessas questões, a Companhia Solitária entende a necessidade de trazer esse tema para ser debatido em cena.
A encenação parte de um espaço inteiramente branco. Um ambiente que precisa estar sempre limpo, mas que, a cada tentativa de limpeza, se torna ainda mais vermelho. Nesse percurso, o que antes era contido, agora transborda, reorganizando o espaço e o olhar do espectador. A conta gotas, o vermelho se multiplica: no corpo que sangra, que vaza, que mancha, no pano que limpa, nos objetos que surgem, na luz, nas imagens.
Em cena, 3 intérpretes transitam entre personagens e personas, articulando em linguagem performativa, depoimentos, situações, informações e memórias, fazendo da cena um território onde se registram normas, violências e tabus relacionados à experiência de menstruar.
A obra se expande para além do palco e se desdobra em uma instalação, onde vestígios do que foi vivido permanecem, atravessando o público para além do tempo de cena.
Inspirado na ideia de Silvia Federici de que o corpo sangra por natureza biológica e, por isso, também é um território de disputa, Gota Vermelha nos convida a pensar como esse sangue que nasce no íntimo pode existir externamente no mundo para além das violências.
Criado majoritariamente por mulheres periféricas, o espetáculo reivindica seu lugar na produção contemporânea, questionando quem pode ocupar essa linguagem e quais narrativas são legitimadas. Porque corpos periféricos não apenas sangram, mas também criam, elaboram e transformam acontecimentos em teatro.
Serviço:
Gota Vermelha
Concepção e dramaturgia: Cia Solitária.
Direção: Fernanda Machado.
Elenco: Alice Esteves, Lana Carine e Lúcia Machado.
Duração: 80 minutos.
Indicação etária: 14 anos.
Espetáculos Gratuitos
TEMPORADA DE CIRCULAÇÃO:
TEATRO ALFREDO MESQUITA
Endereço: Av. Santos Dumont, 1770 – Santana, São Paulo – SP, 02012-010.
DATAS: 08, 09 e 10 de maio e de 2026.
HORÁRIOS: sexta e sábado às 20h e domingo às 19h.
ARTE INSTALAÇÃO: A partir de sexta às 20h30 até domingo às 20h00.
CASA DE CULTURA DO BUTANTÃ
Endereço: Av. Junta Mizumoto, 13 – Jardim Peri Peri, São Paulo – SP, 05537-070.
DATAS: 16 e 17 de maio de 2026.
HORÁRIOS: sábado às 20h e domingo às 18h.
ARTE INSTALAÇÃO: A partir de sábado às 20h30 até domingo às 20h00.
OCUPAÇÃO ARTÍSTICA CANHOBA
Endereço: Rua Canhoba, 299 – Vila Fanton – Bairro de Perus, São Paulo – SP, 05201-200.
DATAS: 23 e 24 de maio de 2026.
HORÁRIOS: sábado às 19h e domingo às 18h.
ARTE INSTALAÇÃO: A partir de sábado às 20h00 até domingo às 19h00.
TENDAL DA LAPA
Endereço: Rua Guaicurus, 1100 – Água Branca, São Paulo – SP, 05033-002.
DATAS: 29 de maio de 2026.
HORÁRIOS: sexta às 20h00.
ARTE INSTALAÇÃO: das 19h às 22h00.
CCJ – CENTRO CULTURAL DA JUVENTUDE
Endereço: Av. Dep. Emílio Carlos, 3641 – Vila Nova Cachoeirinha, São Paulo – SP, 02720-200.
DATAS: 06 e 07 de junho de 2026.
HORÁRIOS: Sábado às 19h e domingo às 17h.
ARTE INSTALAÇÃO: A partir de sábado às 19h30 até domingo às 19h00.
FÁBRICA DE CULTURA DA BRASILÂNDIA
Endereço: Av. General Penha Brasil, 2508 – Brasilândia, São Paulo – SP, 02673-000.
DATAS: 13 e 20 de junho de 2026.
HORÁRIOS: Sábados às 15h00.
ARTE INSTALAÇÃO: Sábado das 10h00 às 16h00.
FICHA TÉCNICA
Concepção e dramaturgia: Cia Solitária.
Elenco: Alice Esteves, Lana Carine e Lúcia Machado.
Direção: Fernanda Machado.
Cenografia, figurino e visagismo: Marina Lima.
Intervenção Artística de Figurino: Meimei.
Produção de peças figurino: Jhon Clair, Celma Carvalho e Glória Maria Amaral.
Assistência de Visagismo: Mirela Alerim.
Serralheria: Gemilson D. Silva.
Marcenaria: Marcos S. De Andrade.
Desenho de Luz: Luciana Silva.
Videografia: Marina Bastos.
Trilha Sonora: Ana Ka.
Montagem e Operação de Luz: Elves Ferreira.
Operação de Som: Lethicia Soares.
Designer: Fabio Pazitto.
Produção: Leo Braga.
Arte Instalação: Cia Solitaria e Marina Lima.
Texto: Cia Solitaria.
Fotos: Igor Franco – H3C Audiovisual.
Assessoria de Imprensa: Flávia Fusco.